A arte de substantivar as coisas

 


Ouvi a seguinte frase de um comerciante local: “o governo desconsidera que a atividade dos trabalhadores do comércio são essenciais ao sustento de suas famílias”.

Fico chocada com a capacidade dos comerciantes de substantivar os termos abstratos para lhe gerar benefícios financeiros.

Pois bem.

Essa ideia de “serviços essenciais” surgiu com o decreto de calamidade pública em março de 2020.

Serviços essenciais estão relacionados com aqueles serviços essenciais para os centros urbanos. Serviços estes, que se parar, o cidadão não vai ter onde comprar comida para abastecer sua casa, assim como, os produtos de limpeza, farmácia, alimentos para animais domésticos, clínicas médicas em geral, e clínicas veterinárias combinado com toda a estrutura logística de transporte para fazer com que esses serviços/produtos permaneçam ativos nos centros urbanos.

Para os demais setores comerciais, a administração pública, em nível federal, estadual e municipal, instituíram rendas para esses setores, como por exemplo, o auxílio emergencial, as cestas básicas municipais e o programa de alimentação escolar emergencial.

Entretanto, é comum ouvir alguém desviando o sentido da expressão “serviços essenciais” nos serviços de telecomunicações dominantes, como o exemplo da frase citada no início desse texto.
Se tornou uma prática comum do jornalismo brasileiro, substantivar um termo técnico e usá-lo como uma forma de terrorismo midiático. A prática está tão comum, que o ato de sentar no sofá da sala para assistir TV se tornou algo frustrante.

O trabalho dos nossos jornalistas acaba gerando muita ansiedade nos cidadãos, e como agora a regra é ficar mais em casa, fica uma situação desagradável assistir os canais de tv tradicionais.


A pandemia mostrou que, se o jornalismo brasileiro ficar com essa prática terrorista midiática, cada vez mais, se perderá telespectadores frente a tantos serviços de streamings de videos que a era da tecnologia da informação nos proporciona.

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